A enfermeira entrou no quarto e disse, cautelosamente:
- Você precisa assinar a autorização.
O choro, contido, escapou em um impulso.
- Não tem outro jeito?
- Ele não está respondendo a nenhum tratamento, nenhum estímulo.
- Mas...
Outro impulso levou a voz e trouxe as lágrimas. A enfermeira aproximou-se e, em um gesto de solidariedade, pousou a mão sobre os ombros desconsolados.
Após pegar de volta a autorização, com assinatura em tinta e autenticação em lágrimas, a enfermeira disse:
- Se você quiser despedir-se, podemos aguardar.
- Não quero!
Disse, decidida, enquanto esfregava as lágrimas e completou:
- De nada adianta, não agora.
A enfermeira acompanhou-a para fora da sala.
Eu, ali deitado, ouvi tudo. Mas fiquei inerte, fingindo-me de morto.
Exercícios literários e outras peças mal acabadas que não são adequadas para o comércio como produtos culturais.
19 de abril de 2008
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