31 de março de 2007

Pouco espontânea

Estava visivelmente desconfortável, com a respiração travada, assim como o sorriso. Na impossibilidade de cobrir o rosto com as mãos parecia cobrir timidamente os dentes com os lábios. As articulações pareciam ter sido reduzidas apenas ao pescoço e à cintura, ainda que ambas tivessem seus movimentos semelhantes aos de engrenagens enferrujadas, indo aos trancos. Além disso, a expressão nos olhos era de quem estava prestes a despencar em um barranco. Mas então, aos trancos e barrancos, ele tirou a foto. E ela finalmente pôde sorrir.

Cheiro de chuva

Em 5 minutos tudo mudou
De laranja para cinza
E todo mundo reclama
O engarrafamento se forma
O dia acaba... mas não para mim

Eu, só o que eu quero é ficar na chuva
De braços abertos e olhos fechados
Sentir como se as gotas estivessem paradas
E eu me chocasse contra elas

Quero sentir esse movimento
Esse momento
E muitos outros
Pequenos potinhos de felicidade

Me concede o prazer desta dança?

23 de março de 2007

Uma impressão

Por alguns momentos tenho a impressão de que o artista que lida com imagens, desenhos e pinturas tem mais facilidade do que o que lida com as palavras, sentimentos, emoções e reações.

Até porque tenho a impressão de que a imagem você começa copiando para depois fazer seu próprio trabalho. Mas os sentimentos, reações e emoções, você deve primeiro vivê-los para depois ainda traduzí-los em palavras.

Mas no final acaba sendo tudo uma impressão.

22 de março de 2007

Muda

Como sempre, ele estava falando sobre as coisas do mundo que ninguém há de entender, muito menos ele mesmo:
- Não é de hoje, mas cada dia piora. Isso me preocupa. Está na televisão, na internet, na faculdade, no papo de boteco, na lotérica ali da esquina. Na televisão, há cada vez mais programas para que resolvam alguma coisa na sua vida, te dar dinheiro, um novo rosto, um novo carro, uma nova casa e até um novo amor. E as pessoas já não sonham mais em conseguir as coisas, pensam que alguém ou algo podia resolver lhes dar.
- Desculpa, não ouvi direito o que você falou.
- Outro problema. Ninguém ouve, ninguém dá bola, ninguém respeita, ninguém cuida de ninguém. Esses dias mesmo eu fui ao hospital e me negaram atendimento porque tinha que ter passado primeiro por um ambulatório que ficava mais longe de casa do que o hospital.
- Não precisa ficar nervoso.
- Claro que não preciso, eu posso simplesmente não me importar. Ou eu posso tentar fazer algo, sei lá, mesmo que seja pouco. Quando eu cheguei em casa, enviei uma sugestão de pauta aos jornais para que façam uma matéria explicativa sobre o funcionamento do hospital. Para que os desavisados dirijam-se ao ambulatório e não diretamente ao hospital.
- E saiu a matéria?
- Não sei. Eu não leio jornal.
- Então que diferença faz?
- Para mim? Nenhuma! Mas deve ter alguém que lê o jornal e que pode ficar doente algum dia e daí vai lembrar de ir ao ambulatório primeiro.
- Então você pode estar salvando uma vida?
- Indiretamente eu posso estar colaborando.
- Parabéns...
- Por que o sarcasmo?
- Você e essas suas idéias utópicas de mudar o mundo.
- Eu disse que talvez eu ajude alguém, não que mudaria o mundo.
- Mudar alguém, algo, o mundo.
- São coisas diferentes.
- Mas a idéia é sempre mudar.
- Para melhor.
- E muda?
- Se você mudar muda.
- Muda o que?
- Primeiro você tem que mudar.
- Mas o que em mim tem que mudar?
- O seu jeito de pensar.
- E depois o que muda?
- A muda.
- A muda?
- A muda muda. Vira árvore, dá flores e frutos.
E por alguns minutos, com um sorriso no rosto e um novo brilho nos olhos, ela ficou muda.

21 de março de 2007

Nosso espaço

A poesia nunca teve lugar

Não que ela não estivesse ali
Ela estava, mas não se encaixava
O espaço era pequeno
E ela sempre foi exagerada

Até que veio você
E com você veio o nós
E conosco o nosso amor
Que é nosso, não é só meu ou só seu
E, por isso, há espaço de sobra para a poesia

A poesia agora se encaixa
E o que era hipérbole
Virou eufemismo ...

20 de março de 2007

Nada em vão

Dias em vão
Dias que vão
E você nem sente
Nem vê passar
Esse dias vão
Nem as memórias ficam
E você nem lembra
Nem sabe o que fez
E de vão em vão
Se faz um buraco
O buraco é fundo
Mas não acabou-se o mundo

Eis que vem a salvação
Um dia especial
Com momentos inesquecíveis
Memoráveis, incomparáveis
Momentos que você sente
Que não quer deixar passar
Uma hora eles vão
Mas as memórias ficam
E depois você lembra
De tudo que fez
E de momento em momento
Chegamos à conclusão
De que nada é em vão

24 de janeiro de 2006

O tal ponto de vista

Algumas pessoas dizem que não
Não se deve deitar ao chão
Que não é digna essa posição

Dizem que assim você é visto por cima
Que quem passar não vai te dar a mínima

Ainda assim, é o melhor lugar para ver o céu

23 de janeiro de 2006

Má interpretação

A interpretação equivocada é um grande problema

Confunde-se o substantivo "poder" com o verbo "poder"

E quem não pode, só se f...

22 de janeiro de 2006

Cansado do tédio

Algumas vezes eu me sinto cansado
De interpretar todos os dias o mesmo papel
Alguns dias eu queria ser o mocinho
Em outros o vilão
Ter meus dias de figurante
E uns dias fora de cena

Outras vezes eu me sinto bravo
Por estar triste
Ou por estar feliz sem motivo
E queria poder resolver tudo
Com um comando simples:

Transtorno bipolar ATIVAR!

21 de janeiro de 2006

Relógio

Andando
De um lado para o outro
Passando
O sol, nascendo e se pondo
Morrendo
Se é que já não está morto

Vivendo
Na solidão de Macondo

Tic Tac
Tic Tac

Tic Tac

Bum!

20 de janeiro de 2006

Influência

Atravessou a rua de mãos dadas com os dois, cruzou a praça e já estava no portão do colégio. Primeiro dia na escola nova, na cidade nova... Quer dizer, nova para eles, porque ali já tinha passado muitas vezes a tal da História. Ao deixá-los com a professora, perguntou:

- Que horário devo buscá-los?

- As aulas acabam cinco horas. Mas nós servimos sopa, então seria melhor tu deixares para pegar os guris cinco e meia.

- Eles não gostam de sopa. Venho às cinco horas mesmo.

- Eles não gostavam! - Disse a professora confiante. - Venha cinco e meia. Com todas as outras crianças comendo os guris aprenderão a gostar.

- Tudo bem. Cinco e meia. - Respondeu a mãe desacreditada.

Foram-se as horas, o sol cruzou o céu, a mãe atravessou a rua, cruzou a praça e chegou de novo ao colégio. Chegando lá, os dois já estavam esperando na porta, junto com a professora que os recebeu. A professora se aproximou da mãe e começou a falar:

- Eu queria te pedir um favor.

- Qual?

- Se puderes buscá-los às cinco horas, seria melhor.

- Por quê? Não quiseram sopa? - Perguntou a mãe com um leve tom irônico.

- Não só não quiseram como fizeram tanta cara de nojo, que algumas das outras crianças pararam de comer.

18 de janeiro de 2006

O conto do conto

O conto nasceu assim: o pai dos contos plantava sementes de criatividade e os contos brotavam delas. Quando o conto nasceu, um contou para o outro, o outro contou para outro, este outro para outro, outro e assim foi. O conto veio depois da conta, mas o contador das contas veio bem depois do contador dos contos.

Certo dia o conto começou a ficar bem falado, gente importante começou a escrever sobre ele e, quando foi perceber, já estava estampado por livros, revistas e jornais. Sucesso de público e crítica, o conto fez história. O conto pregava que quem corre atrás consegue. Ele conseguiu, ganhou prêmios e tudo o mais. Estava vivendo um conto de fadas.

Mas o inevitável aconteceu: tudo que sobe tem que descer. O conto começou a se envolver com drogas, sexo e carnificinas. Passava a noite na taverna, envolvia-se em brigas, participava de rituais e organizava orgias de fazer inveja ao marquês dos contos proibidos.

Antigamente, o conto tinha um discurso de moralismo bem próximo das fábulas. Agora, não respeitava mais nada nem ninguém. Tornou-se intolerante e atacava, a golpes de machado, as igrejas, os governos, os santos e as putas. E o problema agravou-se quando o conto se vendeu: passou a defender qualquer causa ou pessoa com intenções duvidosas por apenas alguns contos.

Quando o conto começou a ficar mal falado, qualquer um contava o conto como se fosse um conto qualquer e contavam um conto qualquer como se fosse o conto. Os amigos foram se afastando na mesma medida que a fama ia acabando. Os que ficaram: nos dedos se contava.

E o conto acabou sozinho, quando percebeu que havia caído em um conto: o conto do conto.

17 de janeiro de 2006

Pessoas imaginárias

Assim como os números
Elas têm uma parte real
E uma parte imaginária

A parte imaginária
Apesar de simples
É chamada de complexa

Possuem infinitas casas depois da vírgula
Infinitas possibilidades

Não se restringem ao que é mensurável
Previsível
Comum

Indivisíveis
Incomparáveis
Invariavelmente interessantes

Adaptam-se aos reais
Aos naturais
Aos primos, amigos, irmãos

Também criam seus próprios conjuntos
Criam seus mundos
Seus cálculos
E suas respostas

Não seguem muitos padrões
Regras
Tabuadas

Transtornadas
Incorfomadas
Normalmente flexíveis

Pessoas que adicionam
E que multiplicam
Crescem em progressão geométrica

Indescritíveis
E, exatamente por isso,
Eternamente seguidas pelas reticências ...

16 de janeiro de 2006

Meio cansado

Incomoda discutir porque tudo já foi falado

E é tudo óbvio

É tudo boçal e pedante

E, principalmente, não tem mesinha de metal dobrável nem cerveja

14 de janeiro de 2006

Ironia

Queria comprovar o quanto cada pessoa é insignificante. Resolveu, aleatoriamente, atear fogo ao próprio.

Morreu.

Foi martirizado e virou herói. Comprovou a incoerência.

13 de janeiro de 2006

Conceitos

Perfeito significa "feito com começo e fim"

Infinitos finais e infinitos começos
Infinitas chances de se tornar algo melhor
E infinitas chances de se tornar algo pior

Somos todos perfeitos

12 de janeiro de 2006

Revendo

Amar é gostar muito, querer passar muitos momentos juntos, não tem prazo de validade nem contra-indicações.

Simples assim.

11 de janeiro de 2006

Evolução dos meios

No início, caçavam, coletavam e viviam em bandos.

Depois, aprenderam a plantar e a colher. Começaram a ver que podiam domesticar e alimentar os animais. Descobriram que plantando mais podiam alimentar e criar mais animais. Surgiu o excesso e com ele veio o comércio.

Descobriram então que podiam domesticar e alimentar as outras pessoas e que essas pessoas podiam produzir os alimentos e cuidar dos animais.

E assim foi.

10 de janeiro de 2006

Má notícia

- Minha filha, sente-se aqui. Tenho que contar uma coisa.

A garota sentou, de olhos bem abertos e boca entreaberta. Já imaginando o que estava por vir.

- Você lembra que há algum tempo eu falei sobre alguém que estava muito doente?

A menina, agora um pouco mais triste, fez sinal de positivo com a cabeça.

- Ele faleceu hoje pela manhã, enquanto você estava na escola.

A garota não conseguiu conter algumas lágrimas, a mãe a abraçou e continuou falando:

- Essas coisas acontecem. Foi melhor assim. Ele estava velho, sofrendo e já tinha perdido mais da metade da visão.

- Mas eu gostava dele! - Exclamou a garota indignada.

- Todos nós o amávamos, mas não havia nada que pudéssemos fazer.

- E onde ele está agora? Eu quero ver ele.

- Achamos melhor que você não o visse daquele jeito, é melhor que guarde lembranças dele vivo e feliz.

- Mas o que fizeram com ele?

- O papai o embrulhou em um cobertor velho e enterrou na beirada do lago, perto daquela árvore que ele tanto gostava.

- Aquela que a gente sempre ia?

- Sim, aquela que se enche de flores roxas na primavera, bem ao lado de onde costumávamos ir pescar.

- Então ele deve estar feliz.

- Provavelmente. Mas por que você diz isso? - Disse a mãe, um pouco surpresa com a frase da filha.

- Ele me contou que foi lá que ele conheceu a vovó.

A mãe ficou sem palavras. Neste momento, o avô entrou na sala:

- Minha netinha querida, não chore! O vovô compra outro gatinho para você.

A garota começou a soluçar de tanto chorar.

9 de janeiro de 2006

7 de janeiro de 2006

Traumas da insônia

Uma tia veio de longe para nos visitar. Na época morávamos em um apartamento bem no centro, era um apartamento pequeno, um quarto, uma suíte e não consigo nem me lembrar dos outros cômodos. A tia ia dormir na sala, já que não havia outro espaço que pudesse ser destinado aos hóspedes.

No meio da noite acordei e, com toda a coragem que eu tinha aos meus três anos de idade, fui sozinho pelo corredor com a intenção de chegar à cozinha para beber um copo de água. Nunca cheguei até a cozinha. Voltei correndo para o quarto, me cobri bem e fiz um esforço sobre-humano para não dormir.

No dia seguinte surpreendi minha mãe com a seguinte pergunta:

- Mãe, tem gente que quando dorme vira monstro?

Minha mãe riu. Minha tia roncava.

6 de janeiro de 2006

Ecologia humana

Somos mais irracionais do que o quanto nossa razão costuma nos fazer acreditar que somos.

5 de janeiro de 2006

Funcionou

- Eu vim até aqui, cruzei toda a festa, larguei meus amigos e provavelmente não vou encontrá-los novamente. Por que vim? Para te falar um oi e para me expor ao mundo como o sujeito ridículo que eu sou para depois perguntar seu nome e telefone, dependendo da reação ao oi e ao que viesse depois.

- Ahn?

- Sabia que você não era tudo aquilo que eu esperava... Adeus!

1 de janeiro de 2006

É assim

Você pode ajudar,
mas não pode resolver

Pode até colaborar,
mas não dá pra fazer

Pode divagar,
mas não consegue concluir

7 de janeiro de 2005

Um dia é da pesca

O garoto foi pescar com o pai, adorava esse tipo de programa. Ele e o pai juntos, viagem até o rio, aquela sensação de acampar — mesmo estando hospedado em um bom hotel — e pescar. Só tinha uma coisa que o incomodava: limpar os peixes. Ele não conseguia enfiar uma faca nos pobres peixes e arrancar-lhes as tripas com as próprias mãos.

Ele e o pai passaram o dia pescando no barranco, cada qual com seu baldinho. Os baldinhos encheram-se, as horas também e o pai começou a limpar os peixes que pegou. Enfiava a faca, colocava no rio e tirava as tripas. Enfiava a faca, colocava no rio e tirava as tripas.
O filho já estava enjoado e o pai, volta e meia, ainda falava:

— Olha, esse aqui tem ova! — E levantava as mãos exibindo algo não identificável e bem sujo de sangue.

Ao terminar de limpar o balde todo, o pai virou-se para o filho e perguntou:

— Não vai limpar os seus?

— Ah. Já limpo. Empresta a faca?

O pai deixou a faca e foi andando na direção do hotel.

Agora era só ele e os peixes. Olhou para o balde, faca na mão, suor na testa, olhos de peixe e mãos tremendo. Olhos nos peixes, mão no balde, suor na testa e hesitou. Não conseguiu pegar nenhum. Ficou apenas pensando na crueldade que era fazer aquilo com os animais.
Pensou mais um pouco e decidiu que ia soltá-los, todos. Decidido, foi até o balde e pegou o primeiro peixe na mão. O peixe se debateu, pulou contra seu rosto, fazendo-o gritar, escorregou entre suas mãos e foi para o chão.

Ao lado, dois moleques, que acabavam de chegar, riam da cena e o imitavam em gestos e no grito.

O garoto não teve dúvida, olhou bem nos olhos dos moleques e enfiou a faca. Depois colocou no rio, tirou as tripas e repetiu o processo até esvaziar o balde. Sem culpa ou remorso. Afinal, era ele ou eles.

5 de janeiro de 2005

Sentido

Ele achava que não fazia diferença e que não tinha porque existir

Aua vida não tinha nenhum sentido e nenhuma direção

Até que leu a seguinte frase "O que você faz em vida ecoa pela eterninade"


Merda!


Merda!




Merda

4 de janeiro de 2005

O começo

Tinha tudo para ser uma noite tranquila até ele se deparar com aquela garota. Ela usando meia listrada colorida, all star, uma camiseta de uma banda dessas que ninguém sabe o nome e óculos. Para completar o visual, arrumava o cabelo para parecer desarrumado.

Estavam na mesma festa, mas não juntos. para falar a verdade nem se conheciam. Pelo menos ela não o conhecia. Se dependesse dele já teriam se conhecido há um bom tempo, aquele rosto já era inconfundível, já tinha reparado até na estranheza do modo como ela segurava o cigarro. Frequentavam alguns lugares em comum, a cidade não é tão grande, as opções não são muitas, acabavam se cruzando.

Tímido, ele a observava. Ela nem dava bola, continuava dando tragadas, mexendo no cabelo, batendo papos e olhando em volta.

Ele continuava ali, parado, observando. Ficava pensando em fazer algo, no que devia fazer, no que devia falar, se devia falar e no que ela responderia. Ele pensou, pensou melhor e decidiu que ia falar com ela. Sempre acreditou que não podia perder oportunidades de conhecer gente interessante.

Caminhou na direção dela, um tanto quanto tenso. Ele se aproximou, ela virou-se e, então, ele disse:

- Prazer, eu sou ninguém.

1 de janeiro de 2005

Eterna dúvida

- Mas, vale mesmo a pena ?

- Você só vai saber se tentar...

- Vou ?

- É... Quem sabe, é provável

- Provável? Então não é certeza?

- Nada é certeza

- Então porque você disse que eu saberia ?

- Ah, você sabe. É essa época que nos faz tender ao otimismo

- É... sei

- Odeio o ano novo

- Eu também! Malditas resoluções e ilusões

15 de janeiro de 2004

13 de janeiro de 2004

12 de janeiro de 2004

raciocínio

nunca fui muito bom em decifrar meias palavras

sempre deixava espaços em branco nas palavras cruzadas

11 de janeiro de 2004

baixa estima

quase todo dia ele recebia dezenas de cartas

cartas de amor e cartas de amizade

umas palavras de carinho e outras de cumplicidade

mesmo assim ele era desconfiado

e achava que com ele ninguém se importava

afinal, não sabia ler

10 de janeiro de 2004

lógica

nada justifica

não tem desculpa

a consciência predomina

a lógica não mente:

os fins concluem os meios

9 de janeiro de 2004

amizades

ao lidar com as pessoas

não tente fazer a diferença

tente apenas encontrar as semelhanças

8 de janeiro de 2004

grades

olhei para a frente e me vi de cara com grades

eram grades sólidas e tão altas que nenhum homem sonharia em passar por cima

então, dei um passo para o lado e segui em frente

7 de janeiro de 2004

o tempo

quando pensar que o tempo está passando rápido

lembre-se que é você que está ficando pra trás

6 de janeiro de 2004

caminho livre

viu seu caminho ser tomado por obstáculos

se concentrou apenas em seus desafios

um por um, passou pelos obstáculos

quando finalmente viu o caminho livre a sua frente

percebeu que seu destino havia ficado pra trás

5 de janeiro de 2004

4 de janeiro de 2004