No início ela só fazia a unha, e eu nem me importava, não chegava a me incomodar. Acho que foi por isso que ela sentiu-se à vontade e resolveu experimentar outras coisas.
Eu só comecei a me preocupar mesmo quando ela começou a ajeitar o cabelo. Enquanto fazia chapinha, podia me queimar a qualquer momento, bastava um movimento em falso. Sem contar que aquela barulheira do secador de cabelo abafava todo tipo de som, atrapalhava tudo.
Com o tempo, ela também começou a fazer tricô e palavras cruzadas. Com as dúvidas de sinônimos com tantas letras, eu ainda me virava bem, apesar de perder um pouco a concentração. Mas, com as agulhas, eu sentia-me em pleno combate, enfrentando um exímio esgrimista. A cada virada para o lado ou troca de posição, acabava sendo atingido por um daqueles floretes. Era horrível. Alguns meses de tricô e eu não aguentava mais, disse a ela que escolhesse: ou ela faria seus afazeres em outro horário, ou nunca mais faríamos amor.
Exercícios literários e outras peças mal acabadas que não são adequadas para o comércio como produtos culturais.
22 de junho de 2010
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Alagam-se as metrópoles em rios de carros que não param de subir
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As engrenagens um pouco gastas atritam-se, barulhentas. Enquanto isso, sobre as chamas, a válvula dá voz aguda aos vapores carregados. Na e...
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Fazia planos e estabelecia metas, mas nunca ia até o fim Quando parou para pensar, no meio do caminho, percebeu-se pedra
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