Desceu daquele ônibus lambendo cada degrau com os pés. Sentiu o gosto quente do asfalto em sol a pino. Percorreu a praça dedilhando o aroma das flores enquanto o canto dos pássaros massageava suas pernas cansadas. Viu o toque do sino indo em sua direção, por todos os lados, ecoando pela catedral. Ouviu cada detalhe do que queria dizer cada escultura do museu. Deu voltas pela cidade em um cavalo branco e uma charrete tinta, amadeirada, com toques frutais e final suave.
Ao final do dia, ouviu o sol tombar no horizonte e, apesar do cheiro de chuva, não sentiu o gosto das nuvens. Durante a noite, todas as luzes eram artificiais, mas as sombras, caridosas, acolheram-no em suas camas e o cobriram com o sangue quente do jornal popular. Apesar do barulho dos tiros, zunindo a cada página e alojando-se em seu tímpano, dormiu.
No dia seguinte, acordou sendo lambido pelo sol, áspero, e continuou sua saga. Pegou o trem dos trilhos de pedra, de volta para Metáfora, ali do ladinho, logo depois de Eufemismo.
Exercícios literários e outras peças mal acabadas que não são adequadas para o comércio como produtos culturais.
27 de março de 2008
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