No sossego do sul de Minas, o povo todo é boa gente, muito do dedicado e ainda mais do hospitaleiro. Quando passa um conhecido, desconhecido ou viajante, já vão logo chamando para um café, guiando para dentro de casa e puxando conversa.
No entanto, de tempos em tempos, esse povo hospitaleiro sofre a sina de quem convida a entrar sem olhar a quem. O povo todo vê o rio, que corre bem ali do lado, e ninguém se cansa de sempre convidar para entrar e o rio sempre fazer desfeita. Mas, de vez em quando, o rio que geralmente corre tranquilo, fica espivetado e resolve aceitar, de uma vez só, todos os convites, vai entrando de casa em casa e chega mais ou menos até a praça, fazendo a maior sujeirada.
A gente de lá, que não é de se irritar por coisa assim à toa, depois que a água se vai por vontade própria, começa a juntar os trapos, as tralhas e os cacos. Durante a limpeza, comentam entre si, bem cochichado, que é para o rio não ouvir, que a sorte é que enchente é igual parente de longe, que só vem mesmo uma vezinha por ano e olhe lá.
Exercícios literários e outras peças mal acabadas que não são adequadas para o comércio como produtos culturais.
26 de março de 2010
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